Nos anos 70, 80 e 90, a TV brasileira era um verdadeiro espetáculo de criatividade publicitária. Quem não se lembra dos jingles da C&A que grudavam na cabeça por dias? As campanhas de moda vibrantes e o famoso “Todo mundo ama!” ficaram marcados na memória de uma geração inteira.
A Bombril nos apresentou um dos personagens mais queridos da publicidade: o Garoto Bombril, que com seu jeito simpático e engraçado, transformou um simples pano de aço em estrela de comerciais por mais de 20 anos. Era impossível ver o produto nas prateleiras sem lembrar daquele sorriso contagiante.
Enquanto isso, a Sukita conquistava os jovens com o irreverente Tio da Sukita e aquela garota de cabelos coloridos que parecia saída de um videoclipe dos anos 90. A Kaiser apostou no humor absurdo e ficou famosa pelo inesquecível “Baixinho da Kaiser”, que sempre aparecia em situações cômicas.
E como esquecer das Casas Bahia? Com seu jeito direto e popular, a marca falava a língua do povo brasileiro. O “Quer pagar quanto?” virou bordão nacional e mostrou que publicidade pode ser simples e eficiente ao mesmo tempo.
Mais do que vender produtos, esses comerciais marcaram época, viraram tema de conversa e até hoje trazem um sorriso nostálgico quando lembrados. Eram peças de criatividade que faziam parte do nosso dia a dia, como bons amigos que a gente recebia em casa através da TV.
Comerciais da C&A (1990-2010)
Sebastião Aparecido Fonseca

Desde os primeiros acordes de sua vida artística, Sebastian Soul já demonstrava que estava destinado a brilhar. Nascido no coração de Belo Horizonte em 1966, o então pequeno Sebastião Aparecido Fonseca descobriu nos palcos mineiros seu talento precoce, compartilhando cena com monstros sagrados da MPB antes mesmo de completar 15 anos. Essa formação artística de elite moldaria o performer completo que mais tarde conquistaria o país.
O ano de 1990 marcaria não apenas a virada na carreira de Sebastian, mas um divisor de águas na publicidade nacional. Ao estrelar a ousada campanha “Abuse e Use” da C&A, ele não apenas se tornou o primeiro garoto-propaganda negro do Brasil, tornou-se um símbolo de resistência em um mercado que até então insistia em padrões eurocêntricos. Com sua presença de palco e timing impecável, Sebastian transformou simples comerciais de moda em poderosas declarações sobre representatividade.
Por duas décadas como rosto principal da marca, ele foi muito mais que um modelo, tornou-se símbolo de transformação. Enquanto a C&A expandia de 20 para 200 lojas, Sebastian ajudava a redefinir os padrões de beleza no país, provando que a diversidade era não apenas necessária, mas comercialmente viável.
Após essa fase transformadora, o artista mostrou toda sua versatilidade. Como músico, lançou álbuns que fundiam soul com as raízes brasileiras, enquanto como educador fundou o Núcleo de Artes Cênicas Sebastian em Osasco, oferecendo oportunidades para jovens talentos de comunidades carentes.
Hoje, Sebastian Soul continua escrevendo seu legado. Seja através de novas campanhas publicitárias que celebram a diversidade, apresentações musicais que honram suas raízes ou mentorias para novos artistas, ele prova que verdadeiros ícones nunca param de evoluir e inspirar.
Comerciais da Bombril (1978-2019)
Carlos Alberto Bonetti Moreno

Em 1954, quando São Paulo começava sua transformação em metrópole, nascia Carlos Moreno – um paulistano que iria deixar marcas muito mais profundas que os edifícios que estudou para projetar. Formado arquiteto pela elite acadêmica da USP, ele encontrou seu verdadeiro traçado criativo não no concreto, mas no efêmero mundo da publicidade. O destino bateu à sua porta em 1978 com uma proposta simples: vender panos de aço. O resultado? Uma das carreiras mais sólidas e duradouras da propaganda brasileira, 26 anos como o inconfundível “Garoto Bombril”, protagonizando mais de 340 comerciais que o transformaram num verdadeiro patrimônio afetivo da nação.
Com um carisma natural e timing perfeito, Moreno elevou simples propagandas de produtos de limpeza a verdadeiros fenômenos culturais. Sua relação com a Bombril foi tão marcante que, mesmo após encerrar o contrato fixo, retornou para campanhas especiais como “Mulheres Evoluídas”, demonstrando sua versatilidade ao dividir cena com novas gerações de humoristas.
Longe de se limitar ao universo publicitário, Moreno sempre manteve seus pés firmes no teatro e, recentemente, expandiu seus horizontes para o cinema com participação no filme “Caindo na Real” (2024). Aos 70 anos, continua ativo e relevante, provando que verdadeiros ícones não se deixam definir por um único papel, por mais marcante que tenha sido.
Comerciais da Sukita (1990-2002)
Roberto Arduin

Roberto Arduin, nasceu no ano de 1950 em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, formado em Arquitetura, mas optou por sua carreira artística, iniciando sua trajetória no teatro em 1982 com a peça “A Aurora da Minha Vida”. Ganhou um grande reconhecimento após interpretar o “Tio da Sukita” em um comercial da marca Sukita no ano de 1999.
O sucesso que fez no comercial da Sukita impulsionou sua carreira artística, levando-o a atuar em novelas como “Chiquititas”, “Marisol”, “Malhação” e “Uma Rosa com Amor”. No cinema, participou de filmes como “Os Xeretas” e “O Caseiro”. Já no teatro, destacou-se em peças como “Trair e Coçar… É Só Começar” e “Aeroplanos”.
No ano de 2018, revisitou seu incrível personagem “Tio da Sukita” em uma campanha da B.blend, trazendo uma versão modernizada. Atualmente, aos 74 anos, segue ativo na cena artística e ensaia a peça “A Mulher da Van”, com estreia prevista para agosto no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Mantém uma presença ativa nas redes sociais, onde compartilha momentos com seus lindos cães de estimação e mostra alguns projetos de arquitetura que realizou para amigos próximos.
Michelly Machri

Nascida em 1979, Michelly Machri tornou-se um fenômeno pop ao estrelar o icônico comercial da Sukita em 1999, aos 20 anos. Com seu visual vibrante e carisma contagiante, ela não apenas vendeu refrigerante, encarnou o espírito juvenil de uma geração, transformando-se instantaneamente em uma das figuras mais memoráveis da publicidade brasileira. O sucesso estrondoso do comercial abriu portas para uma carreira relâmpago na mídia, incluindo capas de revistas e participações especiais na TV, mas também trouxe os desafios da fama repentina, como o assédio constante que a fez repensar sua relação com a exposição.
Hoje, Michelly escolheu um caminho diferente. Casada desde 1997 com o chef David Maurício e mãe de um adolescente de 11 anos, ela trocou os holofotes pela tranquilidade de Paraty, no litoral fluminense. Longe do ritmo acelerado da fama, mantém uma presença discreta nas redes sociais, onde seus modestos 5 mil seguidores ainda a celebram afetuosamente como a eterna “garota Sukita” – prova de que alguns papéis, por mais breves que sejam, deixam marcas indeléveis no imaginário popular.
Comerciais da Kaiser (Anos-80/90)
José Valien Royo

Nascido em Barcelona em 1946, José Valien Royo chegou ao Brasil aos 8 anos, trazendo na bagagem o carisma que mais tarde conquistaria o país. Antes de se tornar lenda da publicidade, trabalhou como frentista, decorador de porcelanas e motorista de entregas – ofícios que moldariam sua espontaneidade única. O destino bateu em sua porta em 1986, quando, ainda como motorista de uma produtora, foi convidado a substituir um ator em um comercial da Kaiser. Sua performance natural e hilária o transformou no amado “Baixinho da Kaiser”, personagem que interpretaria em 85 comerciais ao longo de 24 anos, tornando-se um dos maiores fenômenos da propaganda nacional.
Após a aposentadoria do icônico personagem em 2010, Valien provou que seu talento ia além da cerveja. Em 2014, reinventou-se como “El Bigodon” em campanhas da tequila El Jimador, e em 2019 brilhou em comerciais para o clube Wine. Hoje, aos 77 anos, vive uma vida tranquila no Guarujá, longe das câmeras, mas sempre presente no coração dos fãs que o acompanham pelas redes sociais.
Comercial das Casas Bahia (2003)
Fabiano Augusto

Nascido em São Paulo em 25 de junho de 1975, Fabiano Augusto poderia ter sido apenas mais um talentoso ator formado pela conceituada Escola de Teatro Célia Helena. Mas seu destino reservava algo maior: tornar-se um dos rostos mais amados da publicidade brasileira. Entre 2002 e 2006, ele estrelou mais de 200 comerciais das Casas Bahia, transformando o simples “Quer pagar quanto?” em um bordão nacional que atravessou gerações.
Sua jornada artística começou cedo, aos 15 anos, em um comercial do McDonald’s. Mas foi nos palcos que Fabiano verdadeiramente se encontrou, atuando em peças aclamadas como “Pirata da Linha” e “Rita Lee Mora ao Lado”. Na TV, levou seu carisma para programas como “Intimação”, enquanto nas rádios e eventos provava seu talento como comunicador.
Em 2018, Fabiano deu um importante passo ao assumir publicamente sua relação com Dan Nakagawa. Seu retorno às Casas Bahia em 2023, na emocionante campanha “Dedicação total a você”, não apenas reviveu memórias afetivas, como mostrou que seu talento permanece tão vibrante quanto sempre. Hoje, divide seu tempo entre projetos artísticos e sua vida pessoal, mantendo uma conexão especial com o público que o consagrou.
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