Comerciais de TV “2º parte”

Lembra quando a TV era o centro das nossas tardes e noites? Era naquele retângulo mágico que a gente encontrava não só entretenimento, mas também personagens que pareciam fazer parte da família. Dois deles marcaram época: Toni Lopes, do Bamerindus, e João Côrtes, o Ruivo da Vivo. Eles não só venderam produtos, fizeram isso com um jeito tão especial que transformaram simples comerciais em momentos que a gente guarda na memória até hoje.

Nos anos 90, quando o Brasil enfrentava turbulências econômicas, aparecia na tela a figura impecável de Toni Lopes. Aquele terno bem cortado, a postura séria mas acolhedora, e principalmente aquele bordão que ecoava como um abraço seguro: “…esse Bamerindus!” Era mais que uma marca, era uma promessa de estabilidade. A genialidade estava no detalhe: em vez de falar sobre taxas ou serviços, o comercial criava uma sensação. Você não lembrava do banco, lembrava do Toni e com ele vinha aquela confiança que todo mundo queria sentir ao lidar com dinheiro.

Já nos anos 2010, quando a vida acelerou e o humor virou linguagem universal, eis que surge o Ruivo. João Côrtes não precisava de formalidades, ele entrava na sua sala como um amigo, com aquele sorrisão e o “Tá ligado?” que parecia uma piada interna entre vocês. Enquanto outros comerciais de telefonia enfiavam planos e megas abaixo, o Ruivo simplesmente fazia a gente rir. E magicamente, sem que a gente percebesse, a Vivo deixava de ser uma operadora e virava aquela marca descolada que entendia o público.

Comerciais do banco Bamerindus (1987-1997)

Toni Lopes

Com seu jeito bonachão, barba característica e sorriso fácil, Toni Lopes se tornou um dos rostos mais familiares da publicidade brasileira nos anos 1990. Nascido em Jundiaí, São Paulo, em 1953, ele começou no teatro aos 15 anos e, após participações em curtas-metragens como Aurora (1986), foi descoberto pelo diretor Andrés Bukowinski durante um comercial da Mesbla. Assim, em 1987, iniciou uma carreira que o transformaria em ícone: o garoto-propaganda do Banco Bamerindus.

Por 10 anos, Toni encarnou o personagem que cativou o público com frases como “…esse Bamerindus!”, associando o banco a confiança e simpatia. Seu estilo descontraído muitas vezes interpretando um cliente satisfeito ou um funcionário atencioso, fez com que o público o reconhecesse nas ruas, gritando o bordão como cumprimento. A identidade entre ator e marca era tão forte que, após a incorporação do Bamerindus pelo HSBC em 1997, ele foi contratado pelo Banco do Brasil para manter essa aura de credibilidade.

Apesar do sucesso na TV, Toni Lopes teve uma trajetória artística diversa: atuou em filmes como Filhas de Iemanjá (1995) e na minissérie Colônia Cecília (1989), da Band. Mas foi no cotidiano que seu legado se mostrou mais curioso. Um blogueiro anônimo narra como, por anos, foi confundido com o ator em cheques, teatros e até festas, prova de como o personagem permaneceu no inconsciente coletivo mesmo após sair do ar.

Toni faleceu em 2003, aos 50 anos, longe dos holofotes. Sua morte passou quase despercebida pela mídia, mas não pela memória afetiva de quem cresceu vendo seus comerciais. Como escreveu seu “sósia” acidental: “Valeu, Toni! Você me fez sentir famoso, mesmo emprestando seu rosto”.

Comerciais da vivo (2013-2016)

João Côrtes

Nascido em 6 de junho de 1995 no vibrante Rio de Janeiro, João Côrtes é um talento que respira arte e transforma a câmera em extensão do próprio corpo. Ator, escritor e produtor, ele constrói uma trajetória marcada por versatilidade e presença cativante tanto nas telas quanto nos bastidores. Mas foi como o “Ruivo da Vivo” que se tornou um rosto inesquecível para milhões de brasileiros.

Entre 2013 e 2016, protagonizou a icônica campanha da Vivo, contracenando com celebridades como Grazi Massafera, Marina Ruy Barbosa, Sabrina Sato e Rubinho Barrichello. Seu personagem um jovem ruivo espirituoso que fazia perguntas irreverentes sobre planos telefônicos, cativou o público com frases como “Tá ligado?” e um humor descontraído que revolucionou a publicidade do setor.

O impacto foi imediato: a campanha atingiu 0% de rejeição e se tornou fenômeno cultural. Nas ruas, João era reconhecido como o “menino da operadora”, e seu cachê saltou de R$ 10 mil para impressionantes R$ 200 mil por comercial. Esse sucesso abriu portas para projetos na Globo, como a novela “Sol Nascente” onde interpretou Peppino, e na HBO, na série “O Negócio” como Eric.

Mas João não se limitou à fama dos comerciais. Mostrou toda sua versatilidade como roteirista e diretor do premiado longa “Nas Mãos de Quem Me Leva” (2021) e do impactante curta “Flush” (2020), que abordou questões de gênero. Como músico, foi vice-campeão do “Popstar” (Globo) em 2018, demonstrando seu talento multifacetado.

Hoje, João Côrtes transcende seu título de “Ruivo da Vivo”. É um contador de histórias multiplataforma que usa sua visibilidade para discutir diversidade e inovação no audiovisual. Seu percurso prova que, mesmo na era digital, o carisma humano continua sendo a melhor ferramenta para criar conexões genuínas e duradouras com o público.

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