Esqueceram de Mim: Antes e depois dos atores (Mudanças Incríveis!)

Lembra aquele friozinho na barriga quando criança, imaginando como seria ficar sozinho em casa? Em 1990, um acidente doméstico que poderia ter sido trágico, aquela cena caótica de família grande saindo de viagem nos deu um dos presentes mais preciosos do cinema. “Esqueceram de Mim” não é só um filme, é como aquele cheiro de biscoitos que a vovó fazia: traz memórias, risos e um aconchego que a gente carrega pra sempre.

O que poderia ser uma história de desespero virou uma aventura onde todo mundo se vê no pequeno Kevin. Quem nunca, num surto de independência infantil, achou que seria ótimo ficar sem os pais? Só pra depois sentir aquela pontada de saudade quando escurece? Macaulay Culkin fez do Kevin muito mais que um personagem, criou um amigo imaginário pra uma geração inteira, com seu sorriso maroto e aqueles olhos que diziam “tô com medo, mas dou um jeito”.

E os ladrões! Harry e Marv são tão desastrados que a gente quase torce por eles… quase. As armadilhas caseiras são pura poesia do caos: quem não soltou uma gargalhada com o ferro em chamas ou o prego no degrau? Mas no meio da bagunça, o filme acerta onde dói: na cena quietinha com o velho Marley na igreja, quando Kevin descobre que até os adultos têm medos. Aquele momento transforma o filme todo, como se de repente a gente visse que por trás das risadas, estava falando de coisas sérias: medo de ser abandonado, arrependimento, e como família é aquilo que a gente só valoriza quando quase perde.

Joe Pesci

começou como músico em bares obscuros, virou cabeleireiro e, por acaso do destino, foi descoberto por Robert De Niro. Sua atuação crua em The Death Collector (1976) não passou despercebida por Martin Scorsese, que o escalou para Touro Indomável (1980), garantindo sua primeira indicação ao Oscar. Mas foi em Os Bons Companheiros (1990) que ele se eternizou. Como Tommy DeVito, um gangster com sorriso de criança e punho de assassino, Pesci entregou uma performance tão eletrizante que o Oscar de Melhor Coadjuvante pareceu pouco. Com 1,63m, ele provou que o tamanho de um homem se mede pela intensidade que ele traz à tela.

No mesmo ano em que aterrorizou como DeVito, roubou risadas como o inepto Harry Lime em Esqueceram de Mim (1990). Sua voz estridente gritando “Kevin!” enquanto caía em mais uma armadilha do garoto entrou para o imaginário pop. Entre sangue e comédia, ele dançou na linha tênue que separa o grotesco do genial e fez parecer fácil.

Seu “adeus” às telas em 1999 foi tão abrupto quanto seus personagens. Por 20 anos, surgiu como fantasma (um cameo em O Bom Menino, uma lenda em festas de Hollywood). Até que, em O Irlandês (2019), ressurgiu como Russell Bufalino, um chefão que matava com um sussurro e um garfo na mão, arrancando sua terceira indicação ao Oscar.

Fora das câmeras, Pesci é um quebra-cabeças: quatro casamentos, um álbum de jazz (Vincent LaGuardia Gambini Sings Just for You, uma piada interna de Meu Primo Vinny), e um silêncio que fala mais que entrevistas. “É isso que você quer saber?”, diria ele, com aquele olhar que já congelou até De Niro. Aos 81 anos, o homem que virou mito continua a ensinar Hollywood: grandeza é uma questão de presença, não de altura.

Daniel Stern

Nascido em 28 de agosto de 1957, em Bethesda, Maryland, Daniel Stern esculpiu sua carreira entre tropeços hilários e uma voz que marcou gerações. Começou nos pequenos teatros de Nova York, onde aprendeu a arte de contar histórias com o corpo e a voz. Sua transição para o cinema trouxe personagens reais e cheios de vida, do ciclista sonhador em Breaking Away (1979) ao amigo inseguro em Diner (1982). Em City Slickers (1991), mostrou como transformar crises pessoais em comédia inteligente. Mais que ator, tornou-se parte da memória afetiva de quem cresceu com suas risadas e narrações marcantes.

No entanto, foi como Marv Merchants, o ladrão mais desajeitado de Hollywood, que Stern entrou para o hall da fama. Ao lado de Joe Pesci em Esqueceram de Mim (1990), ele transformou um vilão em figura folclórica, quem não lembra dele levando um ferro na cara, gritando como uma criança ou ficando carbonizado após levar um tiro de espingarda de pressão? Com expressões faciais dignas de desenho animado e uma química explosiva com Pesci, Stern roubou cenas.

Enquanto fazia o mundo rir no cinema, sua voz se tornou a trilha sonora da adolescência americana. Como narrador de Anos Incríveis (1988-1993), ele emprestou calor e nostalgia ao Kevin Arnold adulto, criando um dos narradores mais icônicos da TV. Era como se Stern vivesse duas carreiras paralelas: o corpo que levava choques no cinema e a voz que aconchegava as tardes na televisão.

Nos anos seguintes, alternou entre atuação e direção, com participações em filmes como Very Bad Things (1998) e Whip It (2009), além de dirigir episódios de séries como The Wonder Years e The Late Show with Stephen Colbert. Fora das câmeras, dedicou-se à escultura, com obras monumentais espalhadas pela Califórnia, talvez uma extensão de seu amor por criar personagens tridimensionais.

Hoje, aos 67 anos, Stern vive longe dos holofotes, mas seu legado permanece intocado. Seja como o narrador que definiu uma era, o ladrão que ninguém conseguiu odiar ou o ator que transformou tombo em arte, Daniel Stern provou que o verdadeiro talento está em fazer o difícil parecer fácil e o ridículo, inesquecível.

John Heard

Nascido em 1946 em Washington, D.C., John Heard começou sua jornada nos palcos modestos da cena teatral local, longe do brilho de Hollywood, mas carregando no olhar a determinação de quem sabia que tinha algo especial para oferecer ao mundo. Formado em teatro, ele trouxe para as telas uma intensidade que poucos conseguiam igualar, conseguia ser, no mesmo fôlego, o pai distraído de “Esqueceram de Mim” que todos amamos e o veterano de guerra dilacerado de “Cutter’s Way” que nos fazia questionar a natureza humana.

Sua carreira foi um constante vai-e-vem entre o mainstream e o cinema autoral. Enquanto o público o conhecia como o pai ausente de Kevin McCallister ou o arrogante executivo de “Quero Ser Grande”, os críticos o celebravam por trabalhos como “The Sopranos”, onde sua atuação como o detetive Vin Makazian rendeu uma indicação ao Emmy. “Por que mataram meu personagem?”, ele perguntou ao criador da série. A resposta? “Porque o público gosta de você e na TV, alguém querido tem que morrer”.

Por trás das câmeras, John enfrentou batalhas tão intensas quanto seus personagens. Seu casamento relâmpago com Margot Kidder, a Lois Lane original, durou apenas seis dias. Sua relação com a atriz Melissa Leo foi marcada por disputas judiciais dolorosas. E a perda do filho mais velho, Max, em 2016, deixou uma ferida que nunca cicatrizou completamente.

Quando faleceu em 2017, aos 71 anos, durante a recuperação de uma cirurgia, Hollywood perdeu um de seus atores mais versáteis. James Woods o definiu como “um homem complexo e artista verdadeiro”. O próprio John, em uma de suas últimas entrevistas, confessou: “Deixei a bola cair, mas não tenho arrependimentos”.

Roberts Blossom

Na primavera de 1924, em New Haven, nascia um menino que desafiaria todos os rótulos: Roberts Blossom. Aquele que o mundo conheceria como o misterioso “homem da pá” de Esqueceram de Mim tinha uma história extraordinária antes mesmo de pisar em Hollywood. Formado em Harvard quando poucos chegavam à universidade, trocou os livros pelo campo de batalha na Segunda Guerra Mundial. Ao voltar, escolheu curar almas como terapeuta, até que o teatro o chamou. Nos palcos experimentais de Cleveland e depois no vibrante Off-Broadway, encontrou sua verdadeira vocação: transformar versos em emoção pura, conquistando três prêmios Obie por performances que eram verdadeiros poemas em movimento.

Blossom tinha o dom de transformar personagens secundários em memoráveis. Foi Ezra Cobb, o necrófilo baseado em Ed Gein em Deranged (1974), o fazendeiro que viu um OVNI em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), e o prisioneiro que cortou os próprios dedos em Fuga de Alcatraz (1979). Mas foi como Marley, o vizinho solitário de Kevin McCallister, que ele conquistou o público, inicialmente assustador com sua pá e silêncio, depois revelado como um avô ferido pela distância da família, numa virada emocional que tornou o filme mais que uma comédia.

Entre um filme e outro, Blossom escrevia poemas dramáticos (alguns gravados em vídeo) e peças experimentais. Aposentou-se nos anos 2000 para viver em Berkeley, Califórnia, cercado por livros e versos. Sua vida pessoal foi marcada por perdas: a segunda esposa, Marilyn, morreu em 1982, e ele passou os últimos anos em uma casa de repouso em Santa Monica, onde faleceu em 2011, aos 87 anos, vítima de um AVC.

Catherine O’Hara

Nascida em Toronto no frio, em 4 de março de 1954, Catherine Anne O’Hara era a sexta de sete filhos em uma família irlandesa que transformava o cotidiano em comédia. A menina que imitava parentes para fazer os irmãos rirem começou como garçonete no Second City, o templo da comédia canadense, onde substituiu ninguém menos que Gilda Radner. Ali, entre pratos e piadas, descobriu que sua vocação era dar vida ao absurdo com um toque de humanidade.

Nos anos 1970, o programa SCTV revelou seu talento único: criava personagens como Lola Heatherton (uma cantora de lounge tragicômica) e fazia imitações precisas de Lucille Ball e Katharine Hepburn, sempre com um olhar afiado para as fraquezas hilárias da condição humana.

Foi no cinema que Catherine encontrou seu espaço entre o grotesco e o tocante. Em Beetlejuice (1988), sua Delia Deetz era uma artista pretensiosa que decorava móveis com teias de aranha, mas também uma mãe tentando se conectar com a filha. Já em Esqueceram de Mim (1990), Kate McCallister poderia ser só a mãe desesperada, mas Catherine a preencheu com culpa genuína e alívio ao reencontrar Kevin, uma cena que ela improvisou chorando no aeroporto.

Aos 60 anos, quando muitas atrizes enfrentam a escassez de papéis, Catherine reinventou-se como Moira Rose em Schitt’s Creek (2015-2020). Com perucas extravagantes, um sotaque indefinível e um vocabulário pretensioso (“bébé” para “baby”), Moira era uma caricatura que, nas mãos de Catherine, ganhava camadas vaidosa, mas vulnerável; egoísta, mas capaz de amor. A cena em que canta “The Best” para o filho David ficou como um dos momentos mais puros da série.

Catherine manteve uma vida discreta com o marido Bo Welch (conhecido em Beetlejuice) e seus dois filhos. Apesar da fama, preferia o anonimato: “Adoro quando me confundem com uma professora aposentada”. Sua única extravagância? Doar US$ 250 mil ganhos em Who Wants to Be a Millionaire para abrigos de sem-teto.

Angela Goethals

Nascida em Nova York em 20 de maio de 1977, Angela Goethals começou sua jornada artística ainda na infância, quando a atriz Jeanie Hackett, amiga da família, a levou para audições. Aos 9 anos, era understudy de Sarah Michelle Gellar na peça The Widow Claire. Mas foi em 1990, aos 13 anos, que seu rosto se tornou familiar para milhões como Linnie McCallister, a irmã mais velha de Kevin em Esqueceram de Mim, um papel que, apesar de icônico, paradoxalmente a deixou à sombra do estrelato de Macaulay Culkin.

Antes mesmo de Hollywood, Angela já brilhava no teatro. Em 1991, conquistou o Obie Award (um dos mais prestigiados do teatro off-Broadway) por The Good Times Are Killing Me, interpretando Edna Arkins, uma menina que enfrenta o racismo nos anos 1960. Sua transição para a TV veio com Phenom (1993), onde interpretou uma tenista adolescente, um dos raros papéis principais em sua carreira.

Angela nunca se limitou ao rótulo de “irmã de Kevin”. Em Jerry Maguire (1996), foi a cliente que finge chorar ao telefone com Tom Cruise. Em Behind the Mask: The Rise of Leslie Vernon (2006), um cult movie de horror, interpretou Taylor Gentry, uma jornalista que descobre um assassino em série, papel que lhe rendeu elogios da crítica. Na TV, destacou-se como Maya Driscoll em 24 (2005), filha de uma diretora da CTU com transtorno bipolar.

Formada em francês pela Vassar College em 1999, Angela equilibrou a carreira com os estudos. Casada com Russell Soder desde 2005, mãe de dois filhos, ela gradualmente se afastou da atuação após 2018. Seu último trabalho foi no curta P.T.A-Holes, mas seu legado permanece especialmente aquela cena em Esqueceram de Mim onde, ao ser questionada sobre Kevin, responde com um irritado “Eu não sou a babá dele!”.

Devin Ratray

No frio inverno nova-iorquino de 1977, nascia Devin Ratray em uma família onde a arte respirava pelos cantos da casa. Filho de atores, ele mal completara 9 anos quando estreou no cinema com “Onde Estão as Crianças?” (1986), mas foi aos 13 que sua vida mudaria para sempre ao vestir o uniforme de basquete de Buzz McCallister em “Esqueceram de Mim” (1990). Aquele irmão mais velho que torturava Kevin com formigas e ameaças de “vou te pegar” se tornaria seu papel mais icônico e também sua maior armadilha profissional.

Nos anos que se seguiram ao estrondoso sucesso do filme, Ratray enfrentou o paradoxo de todo ator infantil: como escapar da sombra de um personagem que marcou gerações? Enquanto Macaulay Culkin se tornava o garoto-prodígio de Hollywood, ele percorria um caminho mais discreto, alternando entre pequenos papéis em produções como “O Príncipe e Eu” (2004) e projetos independentes que poucos viram, mas que revelavam um talento muito além da comédia familiar.

Foi só na década de 2010 que o público redescobriu Ratray, agora transformado em um ator de caracterização impressionante. Em “Blue Ruin” (2013), seu ex-presidiário Ben trazia uma intensidade que poucos imaginariam no mesmo garoto que um dia ameaçou Kevin. Já em “Nebraska” (2013), seu Cole roubava cenas com um humor seco e precisão cômica que lembravam os grandes atores de Hollywood clássica. Na TV, provou sua versatilidade como o detetive Nate Henry em “Mosaic” (2018) e o excêntrico Tinfoil Kevin em “The Tick” (2017-2019), mostrando que, longe dos holofotes principais, construía uma carreira singular e respeitável.

A vida de Ratray fora das telas foi marcada por turbulências. Em 2021, foi acusado de agressão doméstica após um incidente com sua namorada em Oklahoma, onde alegadamente a estrangulou durante uma discussão. Um ano depois, uma amiga o acusou de estupro em um caso de 2017, ele negou as alegações, afirmando que o encontro foi consensual. Em 2022, aceitou um acordo judicial e foi condenado a liberdade condicional por três anos no caso de violência doméstica.

Ratray nunca se limitou a Buzz. Seja como o cientista nerd em Surrogates (2009) ou o policial corrupto em Better Call Saul (2022), ele provou que sua presença em cena é inconfundível. Apesar das polêmicas, sua trajetória reflete a complexidade de quem vive sob os holofotes: um artista talentoso que, como seus personagens, enfrentou luzes e sombras.

Gerry Bamman

Nascido em 18 de setembro de 1941 na pacata Independence, Kansas, Gerry Bamman cresceu longe dos holofotes, filho de um vendedor e uma dona de casa. Formado em Belas Artes pela Universidade de Nova York, ele começou sua carreira nos palcos, onde descobriu seu amor pela interpretação e pelo teatro de Henrik Ibsen, cujas peças ele mesmo traduziu anos depois.

Antes de se tornar o Tio Frank McCallister em Esqueceram de Mim (1990), Bamman já havia feito pequenos papéis em filmes como O Segredo do Meu Sucesso (1987) e Cocktail (1988). Mas foi como o tio rabugento e egoísta da família McCallister que ele conquistou o público, um papel que, apesar de secundário, ficou gravado na memória de gerações. Curiosamente, uma de suas cenas mais icônicas, em Esqueceram de Mim 2 (1992), foi improvisada por ele: “Chris Columbus [o diretor] começou a me dar instruções, mas eu disse: ‘Deixa eu mostrar o que tenho em mente’… e ele aceitou”, revelou anos depois.

Longe do humor natalino, Bamman construiu uma carreira sólida em dramas e thrillers. Interpretou o advogado Stan Gillum em Law & Order, o juiz cego Herman Grimes em O Júri (2003) e até um médico em O Óleo de Lorenzo (1992). No teatro, manteve-se ativo, especialmente em obras de Ibsen, demonstrando uma profundidade que poucos associariam ao “tio chato” de Esqueceram de Mim.

Casado com a diretora Emily Mann de 1981 até o divórcio (data não especificada), Bamman é pai de um filho, Nicholas, nascido em 1983. Apesar da fama moderada, ele sempre preferiu o anonimato, dedicando-se mais ao teatro e à tradução do que ao estrelato hollywoodiano.

Aos 83 anos, Bamman pode não ser um nome tão lembrado quanto Macaulay Culkin, mas sua interpretação do Tio Frank, mesclando irritação e comicidade provou que até os personagens mais antipáticos podem se tornar inesquecíveis. Sua carreira, equilibrada entre blockbusters e projetos autorais, é um testemunho silencioso de que um grande ator não precisa de holofotes para brilhar.

Hillary Wolf

No inverno de 1977, em Chicago, nascia Hillary Wolf, uma criança que dividiria seu coração entre dois universos aparentemente opostos. Aos 13 anos, enquanto milhões a conheciam como Megan McCallister, a irmã sarcástica de Kevin em Esqueceram de Mim (1990), poucos sabiam que, nos intervalos das filmagens, ela afiava outra habilidade: o judô, esporte que começara aos 7 anos e que logo se tornaria sua obsessão.

A transição de atriz mirim para atleta de elite foi marcada por sacrifícios. Entre cenas de cinema, Hillary praticava quedas em tatames improvisados, trocando figurinos por quimonos. Seu esforço rendeu frutos históricos: em 1994, aos 17 anos, tornou-se a primeira americana a vencer o Campeonato Mundial Júnior no Cairo, um feito que a levou a duas Olimpíadas (1996 e 2000). Seu treinador, Ed Liddie, resumia seu espírito: “Ela treinava como se cada luta fosse sua última”.

Após se aposentar do judô em 2000, Hillary priorizou a educação e a família. Formou-se em Inglês pela Universidade do Colorado (UCCS), onde conquistou não apenas um diploma, mas também um marido: Chris Saba, lutador de wrestling greco-romano e seu parceiro de treinos no Centro Olímpico. Juntos, fundaram o Rocky Mountain Wrestling Club em Colorado Springs e criaram dois filhos, Michael e Dylan, que seguiram os passos esportivos dos pais.

Hillary raramente fala sobre sua carreira cinematográfica, mas não a renega: “Foi uma fase divertida, mas o judô me ensinou que a verdadeira superação está em desafiar a si mesma, não em fama passageira”. Sua trajetória de atriz premiada a atleta olímpica e, por fim, mãe e empresária é um testemunho de versatilidade e resiliência.

John Candy

No outono de 1950, nos tranquilos subúrbios de Toronto, nascia John Franklin Candy, um menino grandalhão que usaria seu corpo desengonçado como arma secreta para conquistar o mundo. Filho de Sidney, um vendedor de carros que morreu quando John tinha apenas 5 anos, e de Evangeline, uma dona de casa que trabalhou duro para criar os filhos, o pequeno Candy descobriu cedo que fazer os outros rirem era sua forma especial de se conectar .

Na escola, enquanto outros garotos zombavam de seu tamanho, ele transformou o bullying em combustível criativo. O teatro escolar tornou-se seu santuário, onde percebeu que aquilo que o diferenciava poderia ser seu maior trunfo . Nos anos 1970, dividia seu tempo entre dirigir caminhões para pagar o aluguel e noites de improvisação no lendário Second City de Toronto, onde desenvolveu um estilo único, uma comédia que misturava extravagância física com uma ternura que poucos conseguiam igualar .

Foi no programa SCTV que seu talento explodiu. Criou personagens que se tornariam icônicos: o repórter Johnny LaRue, sempre à procura de seu “momento de destaque”, e o crítico de cinema Mel Slirrup, cujas análises pretensiosas escondiam uma profunda insegurança . Por trás de cada criação, havia um pedaço do próprio Candy, o menino grande que continuava buscando aceitação, agora fazendo milhões rirem com suas fraquezas transformadas em arte.

Mas foi no cinema que Candy se tornou lenda. Como Del Griffith em “Férias Frustradas” (1987), ele transformou um vendedor de chuveiros irritante em um dos personagens mais amados da comédia americana. Em “Esqueceram de Mim” (1990), seu Gus Polinski, o limpador de neve polonês roubou a cena em apenas alguns minutos com sua história sobre a banda “Kenosha Kickers”. E quem poderia esquecer seu Barão Munchausen em “Peça por Peça” (1988) ou o segurança amoroso em “Tudo por uma Esmeralda” (1988)?

Por trás das risadas, Candy lutava contra suas inseguranças. “Ele tinha medo de não ser bom o suficiente”, lembrava seu amigo Eugene Levy. Sua generosidade era lendária pagava contas de amigos em dificuldade, doava anonimamente para instituições de caridade e era o primeiro a chegar nos sets, mesmo para as menores cenas .

Tragicamente, seu coração grande demais o traiu. Em 4 de março de 1994, aos apenas 43 anos, Candy faleceu de um ataque cardíaco durante as filmagens de “Wagons East”. Deixou dois filhos, Christopher e Jennifer, e um vazio na comédia que nunca foi preenchido.

Larry Hankin

Nascido em 7 de dezembro de 1937 no bairro judeu do Queens, em Nova York, Larry Hankin cresceu como um espírito inquieto. Formado em design industrial pela Universidade de Syracuse onde dividiu aulas com o ator Frank Langella, ele nunca imaginou que se tornaria um dos rostos mais familiares de Hollywood.

Antes de ser ator, Hankin foi ilustrador e comediante de stand-up. Nos anos 1960, tornou-se pioneiro da comédia improvisada ao cofundar o grupo The Committee em São Francisco, um espaço que funcionava em uma antiga quadra de bocha. Sua primeira grande chance no cinema veio em 1979, como Charley Butts, o prisioneiro inseguro de Fuga de Alcatraz ao lado de Clint Eastwood. A cena em que seu personagem é esmagado por uma porta de cela foi tão realista que espectadores escreveram cartas preocupadas para o estúdio.

Hankin tem o dom de roubar cenas em minutos. Como o Sargento Balzak em Esqueceram de Mim (1990), que investiga a casa invadida pelos ladrões, ou Mr. Heckles em Friends, o vizinho rabugento que batia no teto com uma vassoura, papel que ele admitiu entender profundamente: “Heckles só queria ser ouvido”. Também marcou presença como Old Joe em Breaking Bad, o dono do ferro-velho que ajudou Walter White a sumir com provas. Curiosamente, ele quase interpretou Kramer em Seinfeld, Larry David queria Hankin por sua semelhança com o verdadeiro Kenny Kramer, que inspirou o personagem.

A vida de Hankin não foi só sucesso. Quando Friends matou seu personagem na 2ª temporada, ele comprou uma casa achando que apareceria em mais episódios: “Comecei a pavimentar a garagem, mas a série ‘tomou’ minha casa de volta”, brincou, ainda ressentido. Na reunião de 2021, sentiu-se ignorado: “Só me chamaram quando perceberam que personagens recorrentes eram importantes”.

Aos 87 anos (em 2025), Hankin continua ativo, recentemente ganhou um prêmio de Melhor Ator por I Hear the Trees Whispering (2022). Entre um papel e outro, escreve roteiros (como The Outlaw, uma comédia sobre motociclistas) e prepara um documentário autobiográfico.

Michael C. Maronna

Nascido em 27 de setembro de 1977 no Brooklyn, Nova York, Michael C. Maronna é um daqueles atores que, mesmo com papéis secundários, conseguiu marcar gerações. Filho de um bombeiro e uma orientadora vocacional, Maronna cresceu em uma família grande e diversa com raízes italianas, irlandesas e holandesas, onde desenvolveu desde cedo o gosto pela performance e pela narrativa.

Maronna começou sua carreira ainda criança, fazendo comerciais, o primeiro foi para a Scott Paper, onde um diretor encantou o pequeno Michael ao tirar lenços da boca e falar sobre “o planeta Lunch”. Mas foi nos anos 90 que ele se tornou familiar para o público: como Jeff McCallister em Esqueceram de Mim (1990) e Esqueceram de Mim 2 (1992), seu personagem ficou famoso pela frase icônica “Kevin, você é um pestinha!”. Ele relembra as filmagens com carinho: as pizzas em Chicago, as brincadeiras com o elenco e a inocência de não perceber que o filme se tornaria um clássico natalino.

Além disso, Maronna deu vida a Big Pete na série cult The Adventures of Pete & Pete (Nickelodeon, 1989–1996), um dos programas mais excêntricos e queridos da época. A química com Danny Tamberelli (o “Pequeno Pete”) foi tão natural que, décadas depois, os dois reataram a parceria no podcast The Adventures of Danny and Mike, onde revivem memórias e entrevistam colegas da era Nick.

Nos anos 2000, Maronna apareceu em filmes como Slackers (2002) onde teve uma cena “inusitada” com uma meia, e 40 Dias e 40 Noites (2002), além de participações em Law & Order e Gilmore Girls. Mas, em 2013, ele fez uma transição surpreendente: tornou-se eletricista de sets cinematográficos, trabalhando em produções como Homens de Preto 3 (2012) e a série Dickinson. A mudança veio naturalmente: desde Pete & Pete, ele se interessava pelos aspectos técnicos do cinema, e um presente dos técnicos da série, um cinto de ferramentas acabou virando um símbolo dessa nova fase.

Casado e pai de um filho, Maronna hoje equilibra o trabalho nos bastidores com projetos criativos. Seu podcast com Tamberelli é uma celebração da cultura dos anos 90, cheio de histórias por trás das câmeras e encontros com fãs em eventos nostálgicos. Em entrevistas, ele brinca que sua vida parece um “loop dos anos 90”, mas não reclama: “É divertido reencontrar as pessoas que cresceram com a gente”.

Kristin Minter

Desde criança, Kristin vivia entre dois mundos: o cheiro de estábulo da mãe treinadora de cavalos e as planilhas impecáveis do pai executivo. Essa dualidade moldou uma mulher que nunca teve medo de mudar de rumo, como por exemplo abandonando a faculdade de dança após quebrar o pé, ou encarando as passarelas europeias como modelo até aterrissar em Hollywood sem mapa algum.

Seu “erro” mais famoso, esquecer Kevin McCallister na contagem do aeroporto em Esqueceram de Mim, tornou-se cena icônica. “Até hoje zombam da minha matemática”, diverte-se, lembrando das noites assistindo filmes com os irmãos Culkin, que via como “crianças comuns, só que famosas”. O Framboesa de Ouro por Cool as Ice? “Na época foi um socão no estômago. Hoje é piada pronta no happy hour”.

Em ER, como a recepcionista desastrada Randi, transformou tropeços em poesia: “Cada cena era coreografada como balé, um passo errado e desandava tudo”. Quando o casamento acabou em 2018, tratou como fez com seus personagens: “Capítulo que doeu, mas foi essencial”.

Hoje, entre os cachorros Oskar e Tank e fotos inéditas dos sets, Kristin abraça o presente. “A vida me ensinou que cair faz parte, o truque é levantar sempre com um novo passo de dança”. E se um dia encarnar um papel realmente sanguinário? “Só peço que seja divertido de fazer como tudo na vida deveria ser”.

Diana Rein

Nascida na Romênia comunista, Diana Rein chegou aos EUA com a família em 1981, fugindo do regime com apenas US$50 no bolso. Crescendo em Chicago, ela dividia-se entre as raízes romenas e o soul da cidade uma mistura que mais tarde definiria sua música.

Quem diria que a menina que interpretou Sondra em Esqueceram de Mim (sim, aquela prima que quase atropela Kevin com o carrinho de bebê!) trocaria Hollywood pelo blues? Aos 8 anos, uma visita a um clube de blues foi seu “ponto sem volta”: “Cantei com a banda e soube que minha vida seria sobre isso”.

Mas o caminho não foi fácil. Depois de anos oscilando entre pequenos papéis e bicos na música, um encontro casual com o trabalho de Stevie Ray Vaughan em 2005 a fez pegar o violão pra valer. Autodidata, ela se tornou a “Sereia das Seis Cordas”, lançando álbuns aclamados como Long Road (2016), que a colocou no mapa do blues-rock.

Sua vida tem sido como suas letras: cheia de reviravoltas. Durante a pandemia, quase desistiu do álbum Times Like These, mas transformou a crise em arte. “O blues é sobre verdade, seja na dor ou na superação”, diz.

Hoje, assinando com a Gulf Coast Records, Diana vive na Califórnia, dividindo-se entre os palcos e novos projetos. Seus ex-colegas de Esqueceram de Mim brincam: “Era a mais quieta no set, mas encontrou sua voz onde menos esperávamos”.

Kieran Culkin

Nascido em Nova York em 30 de setembro de 1982, Kieran Culkin cresceu em um apartamento minúsculo no bairro de Yorkville, dividindo beliches com seus seis irmãos, incluindo Macaulay, o astro de Esqueceram de Mim. A família enfrentou dificuldades financeiras, com a mãe, Patricia, equilibrando turnos como telefonista e cupons de desconto para alimentar todos. Seu pai, Kit, um ex-ator, pressionou os filhos para atuar desde cedo. Kieran estreou aos 7 anos como Fuller McCallister, o primo que bebe Pepsi demais e faz xixi na cama, no clássico natalino de 1990 “Esqueceram de mim”. As únicas instruções que recebeu? “Bebe este refrigerante, usa os óculos, diz o texto e vai para casa”.

Nos anos 90, Kieran alternou entre comédias familiares (O Pai da Noiva) e papéis esquecíveis, mas seu momento de virada veio em 2002 com Igby Goes Down, onde interpretou um adolescente rebelde. A performance rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e um choque de realidade: “Ouvi a palavra ‘carreira’ e entrei em pânico. Não sabia se queria mesmo ser ator”. Decidiu então fazer uma pausa, dedicando-se ao teatro como em This Is Our Youth, peça que o ajudou a redescobrir sua paixão pela atuação.

Em 2018, Kieran aceitou o papel que redefiniria sua trajetória: Roman Roy, o filho caçula sarcástico e emocionalmente frágil da série Succession (HBO). Com diálogos afiados e uma vulnerabilidade escondida sob piadas ácidas, ele conquistou um Emmy, dois Globos de Ouro e aclamação da crítica. Roman era “um idiota, mas um idiota que você torce para se tornar melhor”, definiu Kieran.

Em 2024, Kieran surpreendeu ao vencer o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por A Real Pain, onde interpretou Benji, um homem lidando com o luto e a culpa durante uma viagem à Polônia. No discurso, brincou com a esposa, Jazz Charton: “Ela prometeu um quarto filho se eu ganhasse. Jazz, vamos começar?”. Pai dedicado, ele quase recusou o filme para não ficar longe da família até que Emma Stone (ex-namorada e produtora) o convenceu.

Senta Moses

Nascida em 8 de agosto de 1973 em Elmhurst, Illinois, Senta Moses mergulhou no mundo artístico aos 6 meses de idade, estreando em um comercial de fraldas que ela mesma descreve como “vergonhoso”. De ascendência italiana e libanesa, sua carreira decolou aos 7 anos quando integrou a turnê nacional do musical Annie, participando de 487 apresentações. Paralelamente aos estudos na Chicago Academy for the Arts, foi escalada como Tracy McCallister em Esqueceram de Mim (1990) e sua sequência (1992), onde seu personagem ficou marcado pela cena em que engana o bandido Harry (Joe Pesci) com a frase: “Sim, mas eles não moram aqui”.

Durante as filmagens, Senta guarda lembranças afetivas: desde Catherine O’Hara fazendo sons de golfinho para divertir o elenco até Joe Pesci tentando (e falhando) evitar palavrões perto das crianças, substituindo-os por “fridge”. A cena caótica do aeroporto, que levou dias para ser filmada, foi uma das suas favoritas: “Corríamos como loucos e às vezes esbarramos uns nos outros, rindo sem parar”. Apesar do sucesso, ela admite ter assistido ao filme completo apenas três vezes, preferindo reviver os bastidores: “Lembro mais dos lanches escondidos e das piadas entre as cenas”.

Após Esqueceram de Mim, Senta Moses construiu uma trajetória versátil na TV, destacando-se como a cientista Phoebe em Beakman’s World (1996-1997), a personagem recorrente Lizzie em Greek (2008-2009) e 42 episódios como Winnifred em General Hospital (2009). Sua filmografia inclui participações em clássicos como Everybody Loves Raymond e My So-Called Life, além de um piloto de comédia de sua autoria, recentemente optionado por produtoras. Fora das câmeras, integrou o grupo de improvisação Danger Danger e hoje vive em Los Angeles com o marido, o editor Joseph Mikan, desde 2015 provando que sua carreira foi muito além da icônica família McCallister.

Matt Doherty

Nascido em 22 de junho de 1978 no humilde bairro de Harvey, Illinois, Matt Doherty tinha um destino improvável. Filho de um encanador e uma professora primária, o garoto que brincava nas ruas do subúrbio de Chicago mal imaginava que um dia seria reconhecido mundialmente, primeiro como ator, depois como atleta.

Aos 12 anos, Matt Doherty vivia o sonho de qualquer criança: passar o Natal em Paris. Pelo menos nas telas, como Steffan McCallister em Esqueceram de Mim. “O mais engraçado é que naquela cena do aeroporto, eu estava morrendo de inveja do Kevin, ele ficaria sozinho em uma casa cheia de diversão!”, ri Matt, lembrando das filmagens com Macaulay Culkin.

Mas foi como Lester, o patinador desastrado de The Mighty Ducks, que Matt descobriu seu verdadeiro talento e não era atuar. “Os treinadores diziam que eu tinha mais futuro no gelo do que no cinema”, brinca. O que começou como brincadeira virou paixão: enquanto os colegas saíam para festas, ele ficava nas pistas de patinação até altas horas.

Aos 17 anos, fez o impensável: trocou Hollywood pela faculdade de Teatro. “Queria entender por trás das câmeras”, explica. Foi lá que escreveu Brothers Play, uma peça sobre dois irmãos jogadores de hóquei que nem suspeitava ser autobiográfica.

O destino pregou uma peça durante um jogo beneficente em 2005. “Estava lá para fazer graça e acabei marcando dois gols”, lembra. Em três meses, o ex-ator estava assinando com o Wolverhampton. “Minha primeira assistência foi tão perfeita que parecia roteirizada”, brinca.

Hoje, aos 45, divide seu tempo entre os gramados e seu banjo. “Quando me aposentar, quero fazer um filme sobre um ator que vira jogador, mas ninguém acreditaria nessa história”, diz, entre uma partida e uma sessão de escrita no hotel. Seu segredo? “No futebol como no cinema, o importante é saber improvisar quando o roteiro sai errado.”

Ray Toler

Nascido no Missouri, Ray Toler construiu uma vida tão rica quanto inesperada. Casado com Cynthia desde 1974, ele é lembrado pelo público como Rob McCallister, o tio distraído de Esqueceram de Mim (1990) que partiu para Paris sem Kevin, um papel breve, mas que se tornou icônico nas memórias natalinas.

Por trás das câmeras, porém, Ray escondia uma história extraordinária. Antes de Hollywood, ele serviu na Força Aérea dos EUA durante a Guerra do Vietnã, onde entreteve tropas com shows musicais e chegou a reger bandas militares em bases ao redor do mundo. Seu talento como maestro o levou a compor até para o rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, em uma missão diplomática.

Nos anos 1980, trocou as batutas pela academia, tornando-se diretor da famosa Banda Aggie da Universidade do Texas A&M. Sob seu comando, o grupo cresceu de 270 para 700 membros e ganhou prestígio internacional, incluindo o cobiçado Troféu Sudler em 2001.

A vida reservou desafios: perdeu a primeira esposa, Catherine, para o câncer, mas reencontrou o amor ao se reconectar com Michaeleen, uma colega de faculdade. Juntos, formaram uma família numerosa com 16 netos e três bisnetos em uma casa à beira do lago no norte do Texas.

Hoje, Ray divide seu tempo entre a música (ainda compõe e escreve artigos sobre criatividade), a fé cristã e as memórias de quem já tocou para nove presidentes americanos. Seu segredo? “Servir, criar e nunca perder a capacidade de se reinventar” filosofia que aplicou do Vietnã aos sets de cinema, e finalmente à vida simples com os netos.

Macaulay Culkin

Nascido em Nova York em 1980, Macaulay Culkin viveu uma infância de contrastes: enquanto encantava o mundo como o adorável Kevin McCallister em “Esqueceram de Mim”, sua vida real estava longe daquele lar aconchegante do cinema. Seu pai, Kit Culkin, transformou-se de empresário em alguém controlador, não apenas em sua carreira, mas também sua vida pessoal. O menino que fazia o mundo rir com suas armadilhas caseiras carregava nas costas o peso de uma fama precoce e uma família disfuncional.

A adolescência trouxe o inevitável colapso. Aos 14 anos, exausto do circo midiático e das batalhas judiciais entre seus pais pela custódia e seu dinheiro (uma fortuna que ele mesmo ganhou, mas não podia controlar), Macaulay decidiu sumir. Enquanto Hollywood esperava que ele se tornasse mais um astro mirim em declínio, ele simplesmente desapareceu. Os anos seguintes foram marcados por tentativas de encontrar seu lugar, um casamento precoce, relacionamentos turbulentos e uma batalha silenciosa contra os fantasmas da fama infantil.

Mas eis que a vida reservava um segundo ato surpreendente. Longe dos holofotes, Macaulay foi descobrindo outras facetas: o músico irreverente da Pizza Underground, o escritor de memórias ácidas, o ator que voltava em papéis completamente opostos ao Kevin McCallister. E então veio Brenda Song, como um raio de sol após anos de tempestade. Juntos, eles construíram o que Macaulay nunca teve de verdade: uma família. Quando segurou seu primeiro filho nos braços, Dakota, em 2021, completou-se o círculo ,o menino que o mundo via como “aquele que foi esquecido” em casa havia finalmente encontrado seu verdadeiro lar.

Em 2023, quando recebeu sua estrela na Calçada da Fama, não foi apenas um reconhecimento ao astro de “Esqueceram de Mim”, mas ao homem que sobreviveu a Hollywood e saiu inteiro do outro lado. Hoje, aos 44 anos, Macaulay Culkin não precisa mais de armadilhas caseiras para se proteger, ele construiu, tijolo por tijolo, a vida que sempre quis, longe dos holofotes, mas cercado pelo amor que merecia desde criança.

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