Prepare-se para a nostalgia! Veja como está o elenco de Glub Glub:

Nos anos 90, a TV Cultura nos presenteou com uma das produções mais originais e encantadoras da televisão infantil brasileira: Glub Glub. Entre 1991 e 1999, o programa mergulhou fundo nas aventuras subaquáticas dos adoráveis peixes Glub macho (Carlos Mariano) e Glub fêmea (Gisela Arantes), além da irreverente carangueja Carol (Andrea Pozzi), criando um universo mágico onde educação e diversão nadavam lado a lado em perfeita harmonia.

O cenário era pura genialidade: no fundo do oceano, uma televisão misteriosamente caída de um barco exibia desenhos animados internacionais, servindo como um portal encantado entre a realidade e a fantasia. Essa premissa aparentemente simples permitia que o programa abordasse com leveza e inteligência desde questões urgentes de preservação ambiental até situações do dia a dia das crianças, tudo temperado com muito humor, criatividade e aprendizado valioso.

Com mais de 700 episódios repletos de descobertas, Glub Glub conquistou um lugar especial no coração de toda uma geração. O sucesso foi tão retumbante que, em 2006, o programa ganhou uma versão renovada e atualizada, desta vez com foco especial em biologia marinha e sem os desenhos animados, demonstrando sua incrível capacidade de se reinventar sem perder sua essência educativa e encantadora.

O programa foi pioneiro em mostrar que é possível tratar de temas complexos e importantes sem jamais perder o lúdico e o encantamento, deixando um legado que continua a inspirar produções infantis até hoje. Para milhões de brasileiros que cresceram nos anos 90, assistir a Glub Glub era como ser aceito num clube secreto no fundo do mar, um clube especial onde a diversão inteligente e o aprendizado significativo estavam sempre de mãos dadas, criando memórias afetivas que permanecem vivas até hoje.

Gisela Arantes 

Quem cresceu nos anos 90 dificilmente esquece a doce voz da Glub fêmea, a peixinha curiosa que, junto com seu parceiro Glub macho (Carlos Mariano), embalou as tardes de muitas crianças no programa Glub Glub da TV Cultura. Por trás daquela fantasia quente e desconfortável, Gisela Arantes construía uma trajetória artística que iria muito além do universo infantil.

Formada em artes cênicas pelo Teatro Célia Helena, Gisela transitou entre palcos e telas, atuando em peças como “Àbaco” e “Romeu e Julieta”, e no cinema em “Terra Estrangeira” (1996). Mas foi ao formar-se em cinema em 2008 que encontrou sua verdadeira missão: usar a sétima arte como instrumento de transformação social.

Com sua produtora Umiharu, Gisela criou obras que ultrapassam fronteiras. O documentário “Mundo Sem Porteira” sobre exploração infantil conquistou prêmios internacionais, enquanto a série “Mulheres Iluminando o Mundo”, apoiada pela ONU Mulheres, teve seu lançamento na sede da ONU em Nova York. Seu projeto itinerante “Água, Arte e Sustentabilidade” leva conscientização ambiental para comunidades carentes de forma lúdica e criativa.

Hoje, Gisela continua seu trabalho como cineasta e ativista, participando de fóruns globais e desenvolvendo projetos que junta arte e impacto social. Daquele peixinho encantador que nos ensinava sobre amizade, emergiu uma artista comprometida em usar sua voz e talento para iluminar causas urgentes do nosso tempo.

Andrea Pozzi

Quem assistia ao Glub Glub nos anos 90 certamente se lembra da Carol, aquela carangueja cheia de personalidade, às vezes ranzinza, mas sempre de bom coração. Que chegou na terceira temporada para animar o fundo do mar com seus ensinamentos ecológicos. Por trás daquelas pinças que moviam-se com graça e dos olhos expressivos que pareciam mesmo de verdade, estava Andrea Pozzi, uma atriz de talento raro que deixou marcas profundas no teatro, no cinema e, principalmente, no coração de uma geração inteira de crianças.

Andrea nunca limitou-se ao papel da Carol, era uma artista completa e versátil. Formada em Artes Cênicas e com passagem pela prestigiada EAD-USP, onde refinou seu talento, dividiu palcos com gigantes como Celso Frateschi e Gianfrancesco Guarnieri, provando que seu dom ia muito além do universo infantil. No cinema, deixou sua marca em “Contos de Lygia” (1998), ao lado da lendária Natália Timberg, numa atuação tão delicada quanto poderosa, que revelava toda a profundidade de sua sensibilidade artística.

Nos últimos anos de vida, Andrea levou seu talento para Portugal, onde continuou a encantar plateias nos palcos europeus. Sua partida precoce, em 2005, aos apenas 37 anos, vítima de um AVC em Coimbra, interrompeu brutalmente uma carreira que prometia ainda tantas luzes. Mas não conseguiu apagar seu legado já construído.

Carlos Mariano

No calor de 27 de janeiro de 1962, nascia em Jundiaí um menino que um dia tornaria-se o peixe mais amado da TV brasileira. Carlos Mariano descobriu sua paixão pelo teatro ainda adolescente, aos 16 anos, no grupo amador Teatro Estudantil Rosa. Em 1986, com sonhos maiores que sua mala, mudou-se para São Paulo, onde enfrentou dificuldades comuns a todo ator iniciante, pequenos papéis, apartamentos compartilhados e muita determinação.

O destino reservava a Carlos um papel que marcaria gerações: em 1991, vestiu pela primeira vez o figurino do peixe Glub na TV Cultura. Durante oito anos, suportou calor, fantasias pesadas e cola que ardia nos olhos para dar vida àquele personagem que conversava com as crianças sobre ecologia como um amigo. “As cartas dos pequenos fãs perguntando se eu realmente vivia no aquário da TV eram a maior recompensa”, conta emocionado.

Mas Carlos nunca se limitou ao Glub. No teatro, construiu uma carreira sólida, especialmente como o Dr. Eduardo Palhares em “Trair e Coçar É Só Começar”, papel que interpretou por impressionantes 19 anos. Na TV, mostrou sua versatilidade como o vilão Emílio em “Chiquititas” e, em 2006, voltou às origens ao reprisar seu peixe querido numa versão ambientalista do programa.

Recentemente, no programa The Noite, emocionou ao relembrar os bastidores de Glub Glub. “Valia cada minuto de desconforto”, disse, com os olhos brilhando como o mar sob o sol. Hoje, aos 62 anos, Carlos carrega no sorriso a satisfação de quem sabe que marcou gerações, não apenas como um peixe de TV, mas como um artista completo que nunca deixou de acreditar no poder transformador da arte.

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