Quem viveu os anos 90 sabe: não havia como fugir do fascínio de A Usurpadora. Era aquele tipo de novela que grudava na gente, começava a assistir “só um capítulo” e, quando via, já estava envolvido num turbilhão de mentiras, beijos proibidos e reviravoltas de deixar o coração na boca. Paola Bracho, com seus vestidos marcantes e aquele olhar de gelo, era a vilã que a gente amava odiar, enquanto Paulina, com sua pureza de coração, nos fazia torcer como se a vida dela fosse nossa. E no meio disso tudo, Gabriela Spanic fez história ao interpretar as duas irmãs com uma intensidade que até hoje dá arrepios.
Passaram-se mais de 25 anos, mas a magia de A Usurpadora não se apagou. Quem nunca repetiu a frase “Sou Paola Bracho, e não me faltam homens nem dinheiro!” ou se emocionou com os olhares cheios de desejo entre Paulina e Carlos Daniel? A novela virou um pedaço da nossa memória afetiva, tanto que, mesmo com todas as reprises, continuamos parando no canal quando ela aparece. E não é só nostalgia: a história das gêmeas que trocaram de lugar continua conquistando novos fãs, provando que, quando uma trama é feita com alma, ela não tem prazo de validade.
Quantas vezes nos pegamos cantarolando “Pobre Paulina” ou imitando o jeito arrogante de Paola? Esses detalhes ficaram gravados em nós como marcas de uma época em que as novelas eram verdadeiros eventos culturais. A Usurpadora nos ensinou que, no fim, o amor e a verdade sempre vencem, mas que no caminho, uma boa dose de drama e paixão é essencial para fazer história.
Gabriela Spanic

No caloroso dia 10 de dezembro de 1973, enquanto a Venezuela respirava os ares natalinos, nascia em Ortiz – um pacato povoado de ruas de terra e casas coloridas – Gabriela Elena. Filha do croata Casimiro e da doce Norma, ela cresceu entre o cheiro de arequipe e as histórias que sua mãe contava à luz de velas. Junto de sua gêmea Daniela, formavam um par inseparável que já na escola encenava pequenas peças, deixando claro que aquele rostinho angelical guardava um talento especial.
Aos 18 anos, com os olhos cheios de sonhos e um vestido emprestado, Gabriela subiu ao palco do Miss Venezuela. Não levou a coroa, mas conquistou algo maior: o título de “Miss Corpo Venezuela” e, com ele, a certeza de que seu lugar era sob os holofotes. Seu primeiro sim na televisão veio como figurante, mas bastou uma câmera captar sua expressão dramática para que as portas começassem a se abrir. Quando interpretou a vilã Linda Prado em “Morena Clara”, o público descobriu o que sempre soube: aquela menina de Ortiz tinha estrela.
O destino reservava um capítulo ainda mais brilhante. Ao cruzar a fronteira para o México em 1997, Gabriela não sabia que estava prestes a se tornar lenda. Como as gêmeas Paola e Paulina em “A Usurpadora”, ela não apenas roubou cenas – roubou o coração de milhões. “Era como se Paola falasse por todas nós mulheres”, confessou certa vez, referindo-se à personagem que se tornou seu cartão de visitas. O sucesso foi tão avassalador que até hoje, décadas depois, fãs no Brasil ainda a chamam carinhosamente de “Paola Bracho”.
Por trás do glamour, porém, havia lágrimas. Seus relacionamentos foram tempestades que testaram sua força – um casamento que não resistiu às pressões da fama, um amor que se revelou prisão. Mas em 2008, veio Gabriel, seu “milagre de luz”, como costuma chamar o filho que a ensinou o verdadeiro significado do amor incondicional.
Hoje, aos 51 anos, Gabriela olha para trás sem arrependimentos. “Cada cicatriz conta minha história”, diz enquanto planeja um filme sobre sua vida. Nas redes sociais, transforma sua dor em conselho para outras mães solo. E quando pisa em terras brasileiras, é recebida como a velha amiga que nunca deixou de ser – prova de que alguns personagens nunca saem de cena, apenas se reinventam.
Fernando Colunga

Na agitada Cidade do México de 1966, enquanto o mundo vivia a efervescência dos anos 1960, nascia Fernando Colunga Olivares — um menino que herdou do pai engenheiro o nome, mas da vida, um destino muito diferente: o de ser um dos rostos mais amados da televisão latino-americana. Filho único de Margarita Olivares, cresceu entre livros de matemática (que estudou por um tempo na faculdade) e o sonho secreto de subir aos palcos. Trabalhou como barman, vendeu carros e até foi dublê de Eduardo Yáñez antes de ousar dizer: “Quero ser ator” 17.
Nos anos 1980, enquanto o México vivia sua era dourada das telenovelas, Fernando aparecia nos bastidores como dublê em Dulce Desafío. Mas foi na versão mexicana do Vila Sésamo que seu rosto começou a se tornar familiar — um contraste curioso para quem mais tarde interpretaria amantes ardentes e heróis de época 18. Seu primeiro papel de destaque veio em María Mercedes (1992), mas foi como Luis Fernando em Maria do Bairro (1995), ao lado de Thalía, que ele descobriu o preço da fama: o relacionamento dos dois virou espetáculo público, e anos depois, ele confessaria que aquela foi “a pior experiência amorosa” de sua vida 95.
Em 1998, Fernando emprestou sua dignidade silenciosa a Carlos Daniel em A Usurpadora, o marido traído por Paola Bracho (Gabriela Spanic). Enquanto Gabriela roubava a cena com sua vilania, ele conquistava o público com um olhar que misturava dor e nobreza. A ironia? Esse papel, que poderia tê-lo aprisionado no arquétipo do “galã sofrido”, na verdade o libertou: provou que ele era capaz de fazer o público chorar sem dizer uma palavra 39.
Se na ficção Fernando era o rei dos romances épicos — como Manuel em Amor Real (2003) ou Luis Manrique em Alborada (2005) —, na vida real escolheu a discrição. Nunca se casou, não tem filhos, e evita falar de relacionamentos: “A magia entre duas pessoas é só delas”, justifica 27. Mas sua privacidade não o impediu de ser um dos atores mais premiados do México, com 4 prêmios TVyNovelas e o reconhecimento como “Galã da Década” em 2010 18.
Aos 59 anos, Fernando ainda surpreende: em 2022, estreou na Netflix com El Secreto de la Familia Greco, mostrando que sua carreira não se limita às novelas. Longe das câmeras, é um defensor de causas sociais, especialmente educação infantil, e mantém hábitos quase monásticos: não fuma, não bebe e evita até sal e açúcar 78.
Chantal Andere

No calor da Cidade do México, em um 25 de janeiro de 1972, nascia uma menina que carregaria no sangue o dom da interpretação. Chantal, filha da diva Jacqueline Andere, não teve escolha senão crescer entre camarins e roteiros, mas foi seu próprio talento que a transformou em lenda. Desde os 11 anos, quando estreou em “Polo, Pelota Amarilla”, já se via nela a centelha que incendiaría as telas mexicanas.
Nos estúdios da Televisa, enquanto outras atrizes sonhavam em ser heroínas, Chantal descobriu seu superpoder: fazer o público torcer contra ela. Como Angélica em “Marimar” (1994), sua cena mais icônica – onde humilha a protagonista obrigando-a a pegar uma joia com os dentes na lama – entrou para a história. “As pessoas me paravam na rua para xingar”, lembra com um sorriso. Mas foi como Estefanía Bracho em “A Usurpadora” (1998) que ela alcançou a perfeição na arte de ser detestável, interpretando uma socialite mimada que sofria, amava e traía com igual intensidade.
Antes de se consolidar como atriz, Chantal tentou a sorte como cantora, lançando três álbuns nos anos 1990, incluindo Tentaciones (1995). No teatro, brilhou em Cabaret e Víctor Victoria, provando sua versatilidade 110. Sua vida pessoal também foi marcada por altos e baixos: casou-se com Roberto Gómez Fernández, filho do criador de Chaves, mas o matrimônio durou apenas cinco anos. Em 2008, encontrou o amor no empresário Enrique Rivero Lake, com quem teve dois filhos, Natália e Sebastián 14.
Por trás dos papéis de mulher má, Chantal é descrita como uma pessoa leal, divertida e extremamente dedicada à família. Sua personalidade ESFJ (no teste MBTI) reflete seu lado acolhedor e seu instinto protetor — características que contrastam com as personagens que interpreta 3. Apesar de já ter dito que “faz personagens chatas, mas tenta ser uma pessoa melhor na vida real”, seu talento é inegável: ganhou prêmios por suas atuações e até hoje é aclamada como uma das melhores antagonistas da televisão mexicana 17.
Aos 53 anos, Chantal segue atuando — recentemente em El Maleficio (2023) e Mi Fortuna es Amarte (2021) — e planeja novos projetos. Longe das câmeras, dedica-se aos filhos e a causas sociais, mostrando que, por mais convincente que seja como vilã, sua verdadeira essência é a de uma mulher forte, resiliente e, acima de tudo, humana 412.
Dominika Paleta

Nascida em Cracóvia, Polônia, no dia 23 de outubro de 1972, Dominika Paleta carrega em sua história a riqueza de uma vida entre culturas. Filha do pianista Zbigniew Paleta e da atriz Barbara Paciorek, ela chegou ao México ainda criança, onde se radicou e construiu uma carreira repleta de significado. Mais do que uma atriz talentosa, Dominika é uma mulher que equilibra com graça sua vida profissional, familiar e espiritual, transformando cada experiência em aprendizado.
Mãe dedicada de Aitana (17 anos) e María (21), frutos de seu casamento com o ator Plutarco Haza, Dominika encontrou na família seu porto seguro. Ela revela que, após anos priorizando a carreira, hoje escolhe projetos curtos—como filmes e séries—para estar presente no cotidiano das filhas. Acompanhar Aitana nos jogos de futebol ou apoiar María (que seguiu seus passos na atuação) são momentos que enchem seu coração de orgulho. A atriz também sonha em um dia trabalhar artisticamente com as filhas, unindo paixões e legados.
Dominika inspira ao mostrar sua vulnerabilidade sem filtros. Em um post viral, apareceu sem maquiagem, recém-acordada, com uma mensagem poderosa: “As redes são um jogo, expressamos o que queremos, não necessariamente o que somos”. Seu convite à autoaceitação ressoou em milhares de fãs, que celebraram sua beleza autêntica—herança de seus traços eslavos e da vivência mexicana que a moldou.
Sua jornada não foi sem desafios: perdeu a mãe cedo, enfrentou duas situações limite que a colocaram à beira da morte e, com essas experiências, aprendeu a encarar a vida (e o fim dela) com menos medo. Hoje, compartilha esse aprendizado em workshops como “Cuando llega el momento de decir adiós”, onde fala sobre luto, cura e a importância dos laços humanos. Sua visão da vida como uma “experiência espiritual” reflete uma busca constante por significado.
Entre projetos artísticos—como a série “Horario Estelar”—e iniciativas pessoais (de produtos saudáveis a um futuro livro sobre estilo de vida), Dominika prova que reinvenção é uma constante. Seu segredo? Equilíbrio entre paixão, propósito e a simplicidade de curtir um café pela manhã ou o cheiro da chuva.
Juan Pablo Gamboa

Sob o calor acolhedor de Cali, em 24 de novembro de 1966, nascia Juan Pablo Gamboa Cook, um menino cujo sorriso já carregava a promessa de um futuro extraordinário. Filho de Sandra Cook, uma norte-americana de espírito aventureiro que chegou à Colômbia com os Corpos da Paz, e de Andrés Gamboa Ruiz, herdeiro de uma família de poetas e artistas 12, Juan Pablo cresceu entre versos e pincéis, em um lar onde a arte respirava pelas paredes.
Desde cedo, ele dividia seu tempo entre as aulas de música no Conservatório de Cali e os livros de seu bisavô, o poeta Isaías Gamboa 5. Mas foi no palco do Colégio Bolívar que descobriu seu chamado: a magia de transformar-se em outros. Anos depois, cruzaria o oceano para estudar comunicação na Hofstra University, em Nova York, onde trabalhava como garçom entre as aulas de teatro — um jovem sonhador que lavava copos com as mãos, mas enchia os olhos de histórias 16.
Seu debut na TV em 1992, como um recepcionista anônimo em Marielena, foi humilde, mas suficiente para acender a chama 1. Logo, o destino o levaria ao México, onde em La Usurpadora (1998), seu Willy Montero roubaria cenas — e suspiros de ódio e admiração — com um olhar gelado que escondia camadas de dor 714. “Era tão convincente que as pessoas me xingavam na rua”, confessou certa vez, rindo do paradoxo de um vilão que conquistou o público 7.
Mas Gamboa nunca se deixou prender a um só arquétipo. Em Esmeralda (1997), seu Dr. Álvaro Lazcano era um farol de bondade, enquanto em Carita de Ángel (2000), o pai carinhoso Noé Gamboa derretia corações 116. “A beleza deste ofício está em explorar todas as almas que cabem dentro de uma só vida”, refletiu em uma entrevista.
Com inglês fluente e talento irrefutável, Gamboa conquistou Hollywood. Trabalhou ao lado de Penélope Cruz em Loving Pablo (2017) e de Roy Scheider em King of Texas (2002) 611. Mas seu maior orgulho? Ser “pai de quatro filhos e professor de muitos mais” — hoje, ele divide seu tempo entre sets de filmagem e oficinas de atuação nos EUA, onde ensina jovens a encontrarem suas próprias vozes 711.
Em 2024, a perda do pai, Andrés, trouxe à tona sua vulnerabilidade. Nas redes sociais, compartilhou: “A dor nos lembra que somos feitos de memórias e afeto” 7. É essa humanidade que permeia sua carreira — seja como o político gay em Secretos de Familia (2010), que desafiava estereótipos 1, ou como o professor que hoje inspira novos artistas.
Libertad Lamarque

Nascida em Rosário, Argentina, em 24 de novembro de 1908, Libertad Lamarque Bouza veio ao mundo com um nome que era um destino: “Liberdade”. Filha de Gaudencio Lamarque, um anarquista uruguaio que batizou-a inspirado por sua luta pela libertação política, e de Josefa Bouza, uma imigrante espanhola que costurava sonhos com as mãos 38. Sua infância, marcada pela pobreza e pela disciplina rígida da avó paterna, foi temperada pela arte — aos 7 anos, já recitava poemas em peças anarquistas e encantava plateias improvisadas 310.
Os Primeiros Acordes: Do Teatro ao Tango
Aos 14 anos, Libertad escreveu uma carta audaciosa ao dono do Teatro Nacional em Buenos Aires, pedindo um contrato de 500 pesos. Recebeu 300 — e um palco para transformar sua vida. Começou no coro, mas sua voz de soprano lírico e sua presença magnética logo a destacaram. Em 1926, interpretou “Mocosita”, um tango que arrancou lágrimas do público e lhe rendeu um contrato com a RCA Victor. Assim nascia a “Rainha do Tango”, título que conquistou em 1931 ao emocionar o Teatro Colón com “La Cumparsita” 3810.
Seu primeiro filme, Adiós, Argentina (1930), era mudo, mas seu segundo, ¡Tango! (1933), entrou para a história como o primeiro longa sonoro argentino 37. Nas telas, Libertad encarnava mulheres sofridas — papel que ecoava sua vida pessoal. Casada cedo com Emilio Romero, sofreu abusos e tentou suicídio durante uma turnê no Chile, atirando-se de uma janela de hotel (e sobrevivendo por puro acaso) 610. Quando Romero fugiu com sua filha Mirtha para o Uruguai, ela alugou um avião para resgatá-la — um gesto tão dramático quanto seus filmes 810.
Em 1945, durante as filmagens de La Cabalgata del Circo, um conflito com Eva Duarte (futura Evita Perón) mudou tudo. Rumores dizem que Libertad deu um tapa na rival; ela sempre negou, mas admitiu o desprezo pela “indisciplina” de Eva 110. Com Perón no poder, seus filmes foram banidos na Argentina. Partiu para o México em 1946, onde Luis Buñuel a dirigiu em Gran Casino (1947), ao lado de Jorge Negrete. O filme fracassou, mas Libertad floresceu: gravou mais de 800 canções, estrelou 45 filmes mexicanos e conquistou o coração do público como “A Noiva da América” 1711.
No México, reinventou-se como a “mãe sofredora” do cinema melodramático, em clássicos como Otra Primavera (1949) e Ansiedad (1952) 211. Mas sua maior façanha foi humanizar essas personagens — como em Escuela de Música (1955), onde seu dueto com Pedro Infante a tornou eterna 10. Fora das telas, era uma mãe dedicada a Mirtha e uma esposa amorosa de Alfredo Malerba, seu pianista e companheiro até sua morte em 1994 8.
Aos 90 anos, Libertad ainda gravava Carita de Ángel (2000), interpretando uma freira. Morreu de pneumonia em 12 de dezembro daquele ano, deixando um legado de 65 filmes, seis telenovelas e a certeza de que, como ela mesma dizia, “nadie se va del todo” (“ninguém parte completamente”) 1711. Seu epitáfio? As palavras do produtor de sua última novela: “Era divertida, genial — e tinha um humor melhor que o de um adolescente” 10.
Magda Guzmán

Magda Guzmán era daquelas presenças que a gente sente acolher só de ver na tela. Nascida em 1931, na movimentada Cidade do México, ela conquistou seu espaço com uma mistura rara de sensibilidade, força e carisma. Ao longo de décadas, deu vida a personagens que marcaram gerações — fosse no rádio, no teatro, no cinema ou nas telenovelas que tantos de nós assistimos com a família na sala. Com seu jeito doce, mas firme, Magda tocava o coração de quem a assistia. Foi assim que brasileiros e latino-americanos aprenderam a admirá-la — não só como atriz, mas como alguém que parecia fazer parte da nossa própria história.
Em A Usurpadora (1998), Magda interpretou Fidelina, a governanta leal da família Bracho, e encantou o público com sua ternura e integridade. Sempre disposta a proteger os mais fracos, sua personagem era uma presença acolhedora em meio ao drama intenso da trama. Essa foi apenas uma das muitas mulheres fortes que ela deu vida ao longo da carreira.
Magda era muito mais do que uma atriz coadjuvante. Com sua voz delicada, olhar expressivo e um sorriso afetuoso, ela roubava a cena com naturalidade. Foi mãe, avó, amiga e confidente nas novelas — e também fora delas, sendo admirada pelos colegas como uma verdadeira dama da atuação.
Ela faleceu em 2015, deixando um legado que permanece vivo na memória de quem cresceu assistindo novelas. Magda Guzmán será sempre lembrada como uma das grandes senhoras da TV latina, cuja presença enchia a tela de alma, dignidade e emoção.
Mario Cimarro

Mario Cimarro é daqueles atores que carregam intensidade no olhar e paixão em cada cena. Nascido em Havana, Cuba, ele não demorou a conquistar os holofotes com sua presença marcante e talento natural para o drama. Quem o viu atuando em novelas como Paixões Ardentes (Pasión de Gavilanes) dificilmente esquece o galã de cabelos longos, espírito rebelde e coração cheio de conflitos.
Mas por trás do rosto bonito e do porte imponente, existe um artista dedicado, que mergulha fundo em seus personagens. Mario sempre demonstrou respeito pela arte de atuar — estudou, se preparou, e não teve medo de escolher papéis intensos, daqueles que exigem entrega emocional de verdade.
Em A Usurpadora (1998), embora ainda em início de carreira, ele já dava pistas do talento e carisma que o tornariam um dos rostos mais queridos das telenovelas latinas. Ao longo dos anos, soube transitar entre o romantismo e a ação, entre o herói apaixonado e o homem em busca de si mesmo.
Fora das telas, Mario é conhecido por seu lado reservado, espiritualizado e ligado às raízes. Ele é daqueles que falam pouco, mas transmitem muito — como se sua alma também estivesse atuando. E talvez seja isso que o torna tão inesquecível: Mario Cimarro não apenas interpreta. Ele vive.
Marcelo Buquet

Nos corredores do teatro El Galpón, em Montevidéu, um jovem de olhos brilhantes e coração acelerado dava seus primeiros passos no mundo das artes. Aquele era Héctor Marcelo Buquet Corleto, ou simplesmente Marcelo Buquet, que anos depois se tornaria um dos rostos mais amados da televisão latino-americana. Nascido em 4 de outubro de 1963, na capital uruguaia, Marcelo carrega consigo não apenas um currículo impressionante, mas histórias de vida que falam de sonhos, perdas e recomeços.
O palco foi sua primeira paixão. Aos 18 anos, ainda com a timidez da juventude, mas com a determinação de quem sabe seu lugar no mundo, mergulhou de cabeça no universo teatral. Não demorou para que seu talento fosse reconhecido – atuava, produzia e até compunha, mostrando que a arte corre em suas veias. Em 1989, com apenas 26 anos e uma mala cheia de esperanças, deixou seu país natal para conquistar o México. O destino o esperava nos sets de Simplemente María, ao lado da já consagrada Victoria Ruffo. Era o início de uma jornada que encantaria milhões.
Quem acompanha novelas há décadas certamente guarda na memória seus personagens marcantes. O arrogante Rodrigo Bracho, de La Usurpadora, que fazia o público oscilar entre o ódio e a fascinação. O doce Gerardo, de El Abuelo y Yo, que aqueceu corações. Ou o enigmático Mauricio Aranda, em Vivir de Amor, provando que, mesmo após tantos anos, seu talento só se aprimora. São mais de 20 telenovelas e participações em séries de sucesso, como El Dragón e La Piloto, que mostram sua incrível versatilidade.
Por trás das câmeras, Marcelo viveu capítulos intensos. A perda da primeira esposa, Lorena Sotelo, em 2013, foi um golpe doloroso. Enquanto lidava com a dor, tinha nas mãos a missão mais importante: criar seu filho pequeno. A vida, porém, reservava-lhe um novo amor. Em 2019, aos 56 anos, casou-se com Priscila Cruz, em uma cerimônia repleta de significado em sua terra natal. Essa história de recomeço emociona e inspira, mostrando que a felicidade pode surgir quando menos se espera.
Artista completo, Marcelo não se limitou à atuação. Escreveu, produziu e colecionou prêmios, como o da Associação de Críticos do Uruguai em 1998. Sua relação com a arte vai além da profissão – é um diálogo constante com sua essência criativa.
Hoje, aos 61 anos, Marcelo Buquet continua a encantar. Seja interpretando um novo personagem, compartilhando momentos com a família ou simplesmente vivendo com a sabedoria de quem conhece os altos e baixos da vida, ele nos lembra que o verdadeiro sucesso vai além dos holofotes. É na autenticidade, na capacidade de se reinventar e no amor pela arte que Marcelo constrói seu legado – e que belo legado está sendo. O melhor? Ainda há muitos capítulos dessa história por vir.
Paty Díaz

Paty Díaz é daquelas atrizes que conquistam o público com simplicidade, carisma e um talento natural para emocionar. Nascida no México, ela se tornou uma presença constante e querida nas telenovelas, dando vida a personagens humanas, fortes e cheias de coração. Ao longo de sua carreira, Paty sempre soube como tocar o espectador — fosse como a amiga fiel, a moça humilde ou a mulher determinada.
Um de seus papéis mais lembrados é o da adorável Lalinha em A Usurpadora (1998). Como a empregada leal da mansão Bracho, ela não só divertia com seu jeito espontâneo, mas também era um ponto de equilíbrio entre os dramas da família. Lalinha não era apenas uma coadjuvante — era o tipo de personagem que representava o povo, a verdade, a consciência. E Paty soube interpretá-la com alma e doçura.
Fora das câmeras, Paty é conhecida por sua leveza, simpatia e espiritualidade. Sempre próxima dos fãs, ela transmite uma energia tranquila e acolhedora, como se fosse uma amiga de longa data. Sua trajetória é marcada pela constância e pela entrega — nunca buscou os grandes escândalos, mas sim o respeito do público e o amor pelo que faz.
Paty Díaz é, acima de tudo, uma atriz que representa a força da mulher simples, honesta e batalhadora. Uma artista que, mesmo longe dos papéis principais, sempre deixou sua marca — com delicadeza, autenticidade e verdade.
Jessica Jurado

Jessica Jurado é uma daquelas atrizes que, mesmo com participações pontuais, deixam uma marca forte na memória de quem acompanha novelas. Sua presença em A Usurpadora (1998), como a elegante e misteriosa Patricia Bracho, foi discreta, mas cheia de personalidade — um papel pequeno em tempo de tela, mas que ajudou a compor o universo sofisticado e turbulento da família Bracho.
Com um rosto marcante e um porte imponente, Jessica sempre transmitiu elegância e serenidade. Sua atuação tinha aquele charme contido, que dava credibilidade às personagens e fazia o público acreditar naquela mulher de fala calma, mas cheia de intenções. Ainda que seu nome não seja tão lembrado quanto os grandes protagonistas, Jessica representa bem o tipo de atriz que sustenta a base das novelas: profissional, comprometida e com presença.
Fora da ficção, há poucos registros públicos sobre sua vida pessoal, o que reforça aquela aura reservada que ela transmitia também na tela. Mas isso nunca diminuiu o carinho que os fãs guardam por sua imagem. Jessica Jurado talvez não tenha buscado os grandes holofotes, mas seu trabalho ficou gravado na memória afetiva de quem viveu a era de ouro das novelas mexicanas.
Ela é um daqueles rostos que, ao surgir na reprise de uma novela, fazem a gente dizer com um sorriso: “Eu lembro dela.” E essa lembrança, por si só, já é um sinal de que ela fez história.
COMENTÁRIOS